Arth Silva

Postado em ☆ Artes, ☆ Ituiutaba com as tags em 19/09/2011 por DieizoN

Arth Silva é um exímio autor de cartas de amor que nunca serão enviadas. É leitor compulsivo e escritor vocacional. Dono de um estilo rápido, mas sem banalidades, ao reler suas próprias obras acabou influenciando a si mesmo. Como escritor nada lhe dá mais prazer do que escrever o espanto e o fascínio nos olhos das pessoas. Nas horas vagas, quando lhe falta mentiras, inventa a verdade… Aos 2 anos começou a falar; aos 3 aprendeu a mentir; teve meningite aos 7; foi assaltado aos 15; e catapora aos 18. Odeia ervilhas.

Pessoal do Domingo Show da difusora FM – 95,7 – de Ituiutaba – MG

Coringa

Postado em ☆ Artes com as tags , , em 28/08/2011 por DieizoN

MÃOS E OMBROS

Postado em ☆ Ituiutaba, ☆ Reflexões de Alcatéia em 27/08/2011 por DieizoN

O pequeno animal veio, lentamente, caminhando para meu lado. Parecia velho amigo; ou me confundiu com alguém muito familiar. Pensei não ter me percebido, e continuei parado. Sabia que a qualquer momento se assustaria e sairia, em disparada, para o lado que o nariz apontasse. Que nada! Continuou a caminhar em minha direção, cada vez mais próximo. Quando alcançou minha sombra, parou. Pude observar que sua respiração era ofegante, e seus olhos, diminutos. Movimentou a cabeça, inspirou o ar, mais acentuadamente, e permaneceu parado. Dei um passo à frente, e ele permaneceu imóvel. Conclui que não passava bem. Deveria estar machucado; ou com doença de tatu. Por que um bicho, silvestre, não foge de um ser humano, se entre os próprios Homo sapiens a desconfiança é recíproca? Não sei por que, mas a situação me fez lembrar o saudoso Manezinho. O amigo, falecido também, apesar da racionalidade, tinha comportamento semelhante. Quando familiares ou vizinhos o deixavam contrariado, começava a andar por ai, sem se dar conta de nada. Comportava-se como um ser que busca o que não existe.

Não tive dúvida. Aquele Tolypeutes estava com alguma anomalia ou gravemente ferido. Resolvi apanhá-lo, para melhor observar. Segurei-o pelo dorso e, contrariando minhas expectativas, ele não esboçou reação. Levantei-o, com o ventre para cima, e ele me pareceu gostar de ficar no alto, com as patas ao vento. Fiz carinho em seu casco, mas o grosso tegumento não permitiu que percebesse. Então, rocei as pontas dos dedos na pele da barriga. Fechou mais ainda seus olhinhos. Será que sua residência se encontrava na redondeza? Talvez. Pode ser que, ao adentrar em sua casa, tenha encontrado uma serpente, que o picara. Poderia ser uma jararaca, uma cascavel… Mas, onde atingir um tatu? No dorso, impossível. Observei toda a região ventral, onde a pele é menos espessa. Nenhum sinal de picada. Manezinho, falecido amigo e companheiro, também sempre saía à deriva, quando encontrava alguma irregularidade em seu barraco. “Estou contrariado… encontrei um desmantelo lá em casa”, dizia. Será que ele era frequentemente picado por serpentes?

Talvez, a chuva do dia anterior tenha enchido seu ninho de água, e agora não havia como utilizá-lo. Mas, certamente isto não acontecera. Tatu é um bicho estrategista e, ao escolher o local de seu ninho, eliminaria qualquer possibilidade de ser importunado por tempestades. Previsões à parte. O bichinho estava carente de afeto ou de mãos amigas; os ombros de tatu escondem-se sob o casco. Mas, um tatu troca seu lar por mãos alheias? O Manezinho trocava sua, conturbada, família por ombros estranhos. Em sua timidez e seu silêncio, constantes, quando muito importunado abandonava seu muquiço e procurava uma alma amiga. Em sua objetividade, com poucas palavras, expunha tudo que lhe aperreava. “Assim não adianta, Companheiro! Tem que sair daquele buraco, e procurar outras pessoas…” Era o conselho que sempre recebia. Para os amigos, Manezinho era um tatu. Quando lhe permitiam, vivia quase sempre em casa, ou como ele dizia, dentro de sua “loca”.

Coloquei o bichinho sobre a grama. Ficou estático. Depois, afastou-se meio metro. Como um engenheiro que procura localizar a mira, certamente pela imagem e o odor que um ser vivo exala, tentou enxergar meu rosto. Contudo, não passou de tentativa. Um tatu não levanta a cabeça a uma altura que lhe permita ver a face de uma pessoa adulta. Afastei-me um pouco, para diminuir o ângulo de sua visão. Não resolveu, e ele continuou a se esforçar, cada vez mais. Então, achei por bem ficar de cócoras. Foi bom, ele se aproximou e, com seu nariz, funguento, inspirou meu cheiro. Será que imaginava ser eu um membro de sua família? Pode ser. O Manezinho, quando em parafuso, não fazia nenhuma distinção entre amigo ou não. Aliás, tinha preferência por desabafar-se em ombros de estranhos ou com Tupy, seu vira-lata de estimação; como comentava frequentemente. Seria eu o velho cachorro do pequeno tatu?

Senti que não poderia me afastar e deixar o novo amigo, sem proteção. Poderia levá-lo e, em minha casa, arranjar um lugar para o diminuto animal. Não, esta ideia não daria certo. Em minha casa, há diversas espécies de animais, que acabariam matando o infeliz desamparado. Apanhei o bichinho e comecei a andar ao redor, em um raio de cinquenta metros, a fim de encontrar uma morada de tatu. Encontrei apenas uma, mas não a de meu novo companheiro. O buraco tinha um diâmetro bem maior, e estava meio que abandonado. Coloquei o amigo na grama, e me afastei. Ele tentou me acompanhar. Aumentei as passadas, e ele tentou correr. Parei, e ele chegou bem próximo de mim. Lembrei-me da noite em que encontrei o amigo Manezinho, embriagado, tentando voltar para seu muquiço. Levei o silencioso companheiro a seu barraco. Bati, e uma senhora, de expressão de pouca receptividade, recebeu-nos. Olhou, analisou o esposo. Como uma serpente olha para uma presa doente, fechou a porta. Reabriu e, pela fresta, certificou-se do quadro, ali desenhado. Trancou novamente a porta, e eu fiquei lá fora, sustentando o desvairado Manezinho. Levei meu velho companheiro para meu ninho, e lá nenhum outro bicho estranhou meu amigo.

Situação embaraçosa. O tatu não procurava seu ninho, e se eu me afastasse, ele tentaria me acompanhar. Que Manezinho é este? Encontrava-me bastante preocupado. Sem pedir a ninguém, tinha, sob minha responsabilidade, um dependente, silvestre. Se eu me afastasse, correndo, não conseguiria me acompanhar, e assim me livraria do amigo, cascudo. Mas, esta atitude é racional? Não. É covarde. Como alguém tem coragem de deixar um amigo, indefeso, totalmente à mercê da sorte? O que eu faria se, em vez do tatuzinho, tivesse encontrado meu amigo Manezinho? Levá-lo-ia para uma sombra, assentaríamos e aguardaríamos o tempo mostrar uma saída. Foi o que fiz. Peguei o animal, pelo casco, e procurei a sombra de um guatambu. Coloquei-o na areia, fresca, e assentei-me a seu lado. Fiquei a observar suas atitudes. Andou, em um círculo de um metro, cheirou a areia e meus pés, várias vezes. Depois, como se tudo estivesse normal, repousou o ventre sobre a areia, piscou, algumas vezes, na tentativa de ficar acordado, até dormir; tal qual Manezinho.

Fiquei a observar meu novo amigo… Comparei-o a meu, saudoso, companheiro. O tatu tem dois locais para esconder-se: debaixo do casco e dentro de um buraco; mas não tem ombros. O pobre Manezinho que, apesar de seus dois ombros, nunca teve um casco, e, apesar de ter uma loca, certamente se encontrava com largo diâmetro e repleta de predadores de alma. Assim, em uma procura, interminável, meu amigo buscava ombros, estranhos, para se esconder das intempéries humanas.

Fiquei a pensar… Será que me aproximo mais de um Manezinho ou de um tatu-bola? Certamente, um pouco de cada…

Insano

Postado em ☆ Artes, ☆ Portfólio Virtual com as tags em 27/08/2011 por DieizoN

 

Duckit

Postado em ☆ Artes, ☆ Portfólio Virtual com as tags em 27/08/2011 por DieizoN

Bruce Lee

Postado em ☆ Artes, ☆ Portfólio Virtual com as tags em 27/08/2011 por DieizoN

Country Girl

Postado em ☆ Artes, ☆ Portfólio Virtual com as tags em 27/08/2011 por DieizoN


Lampião de Gás – José Mária Franco de Assis

Postado em ☆ Ituiutaba com as tags , , em 13/07/2011 por DieizoN

Quando consulto a minha memória, me lembro de vários fatos que ocorreram durante minha infância, contudo não consigo relacioná-los com uma provável data. Entre as lembranças, tem uma que sei a época; ocorrera quando tinha quase quatro anos. Fora na casa na vovó Iá, certamente um final de semana, porque meus tios e primos estavam lá. Alguém pediu que aproveitasse os netos reunidos e tirasse uma foto. Fui devidamente preparado. Mamãe colocara o “short” azul modelo jardineira, blusa de colarinho largo, as velhas botinhas “mateiras” e o indispensável biriba de feltro cinza. O chapeuzinho estava prestes a ser trocado uma vez que vovô Augusto prometera trazer um de Uberaba, estilo soldado francês do século XIX.  Éramos seis, mais a Marta que com aproximadamente quatro ou cinco meses, ficara dormindo e a Marina, que se encontrava no ventre da Tia Carmem. O Mauro e o Fábio, certamente, aguardavam o momento adequado para se juntarem aos netos da vovó Iá. Meu padrinho e tio, Sebastião Lélis da Cunha ou tio “Bastião Piorra”, desinquieto e ansioso, andava para todos os lados. Enquanto descascava uma mexerica enredeira, com voz fina e baixa, cantava a música Lampião de Gás, texto de Zica Bérgami e gravada por Inezita Barroso. Assim, pela gravidez da tia Carmem e a música famosa, a foto acontecera no primeiro semestre de 1958. O fotógrafo fora ou outro tio, Mário Coelho, através de sua câmara Kodak, ou “máquina de tirar fotografia”, como dizíamos. Ele, dentro de sua paciência nervosa, aguardava agachado o momento adequado para registrar a minha primeira imagem nesta vida que se segue. Várias pessoas ficaram dando palpites sobre a posição dos braços e pernas enquanto os netos da vovó Iá se organizavam na lateral da varandinha do paiol. Tio “Bastião Piorra” dizia que a música Lampião de Gás era a mais nova gravação de Inezita e que estava fazendo grande sucesso em São Paulo. Então, eu associava uma fileira de lampiões de chama verde azulada ao longo das ruas paulistas. Mas não colocava os veículos. Quem acendia e apagava os lampiões? Difícil de imaginar, ainda mais que nessa época tinha acabado de conhecer a minha cidade natal. Quando a foto ficou pronta, observei que apesar dos adultos terem atrapalhado bastante, mesmo assim, tive um bom desempenho. Meus braços estendidos lembram alguém que declama uma poesia. Contudo, não gostei da disposição das pessoas. Está certo que o Romeu tinha que ser o primeiro, era o primogênito, contudo, eu deveria ser o último, uma vez que entre as crianças presentes, era o caçula. Também não deveria ter misturado os primos e sim agrupá-los de acordo com cada mãe. Hoje, sem querer copiar a Maria José Dupré,  digo que éramos seis. Quando observo aqueles dois primos, Leonardo e Maurício me emocionam em lembrar que eles me salvaram de um afogamento. Acontecera na década de sessenta durante uma pescaria no Rio Corrente, quando as ondas formadas pela passagem de uma canoa me engoliram. E eles, mesmo magrinhos, me arrastaram para o barranco do rio e pressionaram meu abdome para que vomitasse um pouco de água involuntariamente engolida. O destino, geralmente dentro de sua ironia, escreve em planos que não deciframos. Desta forma, o neto mais velho e os meus salvadores hoje estão apenas na foto. Da mesma maneira que a evolução tecnológica substituiu o lampião de gás pelas lâmpadas elétricas, o destino vai retirando da foto os seus exemplares e leva-os para junto dos “retratistas”, dos “cantores” e de quem organiza crianças para serem fotografadas.

Esboço chimpanzé – Thiago Bertoni

Postado em ☆ Artes, ☆ Ituiutaba com as tags em 13/07/2011 por DieizoN

Quem somos Nozes?

Postado em Sem categoria em 10/07/2011 por DieizoN

O Covil de Lobos foi criado com o objetivo apertar aquele botão do seu cérebro chamado criatividade. Esperamos o seu não esteja desligado, se não vamos ligar a descarga elétrica mesmo!

Tudo isso de forma criativa e irreverente em forma de matérias cujos roteiros são os trabalhos dos artistas mais criativos da região, sejam eles famosos ou completamente desconhecidos, você verá que até aquele mendigo da esquina pode ser um grande gênio.

No covil, você vai encontrar também matérias sobre temas malukos que estão rolando na internet sobre qualquer assunto, seja ele Games, RPG, propaganda, música, literatura, ilustração, filmes ou até a cor da calcinha daquela menina que você nunca teve coragem de perguntar o nome. Se você for mulher, troque a palavra “menina” por “garotão”, a calcinha pode deixar.

O Covil é o local onde as ideias se encontram. Onde VOCÊ encontra as boas ideias!

Pronto, agora você conhece o Covi…. perai? Não gostou do Covil de Lobos? Que pena, mas falar mal é fácil, difícil é escrever Arnold Schwarzenegger sem pesquisar no Google.

Ainda assim não gostou? Então tenha Alzheimer e comece a ler de o post de novo.

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